Farmacêutica alerta para automedicação e uso de remédios "da moda" contra Covid

A coordenadora do curso de Farmácia do Unifeb, Regilene Steluti, afirmou que o uso descontrolado de remédios, por meio da automedicação, é prejudicial à saúde. A docente confirmou a importância de consultar um profissional antes de obter a medicação e fez um alerta: o remédio pode aliviar o problema momentaneamente, mas é importante investigar sua causa. Sobre a pandemia de coronavírus, Regilene Steluti disse que por ser uma doença nova, é normal que se tenha pouca informação, incluindo tratamento e medicação. Apesar de alguns remédios apresentarem indícios de que são positivos contra a Covid-19, não é recomendado que os usem deliberadamente.


O Diário: Quais os principais riscos da automedicação?

Profª Regilene: São vários os motivos e depende o medicamento que você vai tomar. Até o medicamento mais comum você precisa de orientação. O profissional de saúde tem que te orientar. Esses de venda livre, você tem que falar com o farmacêutico, por exemplo. Se forem os medicamentos que precisam de receita, você precisa ir ao médico para poder comprar. São os mais diferentes problemas que você pode ter pelo uso desses medicamentos, desde dor abdominal, dor de estômago, vômito. Por exemplo, o excesso do uso de vitaminas, aparentemente, as pessoas acham que não têm problema nenhum, mas podem causar dor abdominal. Alguns antitérmicos, dipirona, paracetamol, podem causar problemas também. Você pode ter problema hepático, um problema no fígado muito sério. O uso de automedicação é até aceitável desde que seja por um curto prazo e com orientação de um profissional da área da saúde. Nesse período de pandemia, as pessoas se orientam pelos vizinhos, amigos, parentes, pela internet, aí pegam informações, porque foi melhor para alguma pessoa e acabam se automedicando de maneira errada.


O Diário: Por que é importante solucionar a causa do problema?

Profª Regilene: Às vezes, você toma algum medicamento para algo que possa vir a ter, mas você não cura a causa. As pessoas podem tomar um remédio para dor de cabeça, mas elas não sabem a causa da dor de cabeça. Ela pode ser pelo consumo de um alimento, por problemas de visão, por vários motivos. Aí, você toma remédio para dor de cabeça, não atua de alguma maneira para não ter a dor de cabeça. Isso, com o tempo, dependendo do tipo de medicamento pode ser prejudicial.


O Diário: Quais os riscos em tomar os remédios "da moda", que dizem trazer soluções contra a Covid?

Profª Regilene: O medicamento, para ser considerado efetivo, que pode ser utilizado contra alguma doença, passa por um processo longo de testes, que vão desde testes in vitro como testes em pessoas. Hoje em dia, temos muitos medicamentos sendo testados, alguns poucos estão com eficiência comprovada, mas alguns estão com indícios de que podem ser efetivos e não se tem ainda, muitos deles, a eficácia comprovada. Às vezes, o medicamento tem eficácia contra uma outra doença e agora estão testando para Covid. Ou então, tem a eficácia comprovada in vitro, por exemplo, não foram testados em humanos ainda. As pessoas, às vezes, ouvem isso e acabam adquirindo o medicamento e tomando. Medicamento para Covid só tem que ser utilizado por indicação médica. Não existe nenhum medicamento ainda, que se conheça, para prevenção de Covid. As vacinas estão em teste, mas não tem medicamento que combata o vírus, nada conhecido pelos estudos que temos até hoje. As pessoas têm que tomar cuidado, porque podem ouvir algumas coisas e vão às farmácias comprar os medicamentos.


O Diário: Aumentou o consumo de medicamentos neste ano?

Profª Regilene: Saiu um estudo do Conselho Federal de Farmácia, que eles fizeram um estudo sobre a automedicação entre os três primeiros meses de 2019 e de 2020. Houve um aumento de quase 80%. E temos as mais diferentes classes de medicamentos, desde aqueles mais comuns, que são de venda livre, até alguns medicamentos que hoje são controlados. Percebeu-se que durante a pandemia houve um aumento muito grande no consumo de medicamentos pelas pessoas.


Confira a reportagem clicando aqui.



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