Entre memórias e cores, Rute Meneghelo transforma histórias de vida em arte no UNIFEB
Exposição reúne 40
obras na Biblioteca “Prof. Roberto Rossi Zuccolo” e celebra trajetória iniciada
ainda na infância
A Biblioteca “Prof. Roberto Rossi Zuccolo” do UNIFEB (Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos) está recebendo durante o mês de abril a exposição “Mãos que Pintam o Tempo - Edição 2”, da artista plástica Rute Meneghelo. A mostra apresenta 40 obras que traduzem, em cores e traços, uma trajetória artística iniciada ainda na infância e marcada por memórias afetivas, recomeços e homenagens. O evento é organizado pelo NAC (Núcleo de Apoio Cultural) do UNIFEB.
O despertar para a arte aconteceu cedo. Rute conta que, em
1957, quando iniciou seus estudos escolares, havia no currículo momentos
dedicados ao desenho e à pintura. Foi nesse ambiente que nasceu o interesse que
a acompanharia por toda a vida. “Foi despertado em mim essa vontade de fazer os
meus desenhos. E isso foi crescendo”, relembra. A irmã Telma, atenta ao
talento, guardava seus trabalhos, reconhecendo desde cedo o valor da produção
artística.
Entre as obras expostas, algumas carregam significados
especialmente profundos. A primeira delas é a tela das margaridas, seu primeiro
trabalho emoldurado, datado de 27 de janeiro de 1969. A pintura permanece
original, tendo passado apenas pela troca da moldura e paspatur ao longo dos
anos. “Se as margaridas foram meu começo…”, destaca a artista, ao recordar o
marco inicial de sua caminhada.
Outro momento decisivo de sua trajetória está representado
na obra “A Cozinha de Cora Coralina”, produzida em 2018. Após sete anos de
luto, a tela simboliza um recomeço. O convite da amiga Conceição Ribeiro Borges
para participar de uma exposição foi determinante nesse processo. “Sou muito
grata a ela. Talvez eu não estivesse alí se não fosse aquele chamado”, afirma.
A terceira obra de grande valor afetivo é a pintura do
sobrado de sua tia Jovita, figura que representou para Rute a vivência de uma
“casa de vó”. Sem ter conhecido os próprios avós, a artista encontrou
referências afetivas em mulheres que marcaram sua infância, como a parteira de
seu nascimento, vovó Sinhana, e a vizinha da família, vovó Bertolina Falcão.
Essas memórias atravessam sua produção e revelam o quanto cada trabalho nasce
de uma história vivida ou sentida.
As flores são uma fonte constante de inspiração, mas não são
o único tema. Cada quadro carrega um significado particular. “Não fiz
simplesmente por fazer. Por algum motivo, fui levada a executar o trabalho”,
explica.
Ao longo das décadas, Rute experimentou diferentes técnicas
e materiais. Iniciou com cartolina e guache, passou pelo giz de cera e nanquim,
utilizou tinta a óleo sobre tela e até óleo sobre azulejo. Posteriormente, por
questões de saúde, migrou para a tinta acrílica. Também trabalhou com grafite sobre
papel ampliando as possibilidades de sua expressão artística.
“Mãos que Pintam o Tempo - Edição 2” reforça a continuidade
dessa caminhada. O título já projeta novos capítulos: a artista revela que há
convite para uma próxima edição da mostra. Enquanto isso, segue produzindo. “E
continuamos pintando o tempo, se Deus quiser. Até quando? Eu não sei”, conclui.
A exposição está aberta para visitação ao longo de abril, de
segunda a sexta-feira, das 9h às 22h, na Biblioteca do UNIFEB, convidando a
comunidade acadêmica e o público em geral a conhecer uma trajetória em que arte
e memória caminham lado a lado.




















